Projectos

Estatuto do Animador

Estatuto do Animador - Contributos para a sua Elaboração
por Jorge Nunes

Nestes últimos tempos muito se tem falado do estatuto do animador, tanto no âmbito do associativismo juvenil, nomeadamente em grupos de trabalho criados especificamente para a sua discussão e elaboração na Federação das Associações Juvenis do Distrito do Porto (F.A.J.D.P.) e na Federação Nacional das Associações Juvenis Locais (F.N.A.J.), como no seio da Associação Nacional dos Animadores Socioculturais (A.N.A.S.C.). No entanto, é importante que se diga que esta não é uma ideia peregrina, fruto da imaginação de alguns iluminados mas, é um aspecto que tem vindo a ser reclamado e discutido em Portugal desde a década de 70. Como nos parece inconcebível perspectivar o futuro, desprezando a riqueza dos contributos do passado, entendemos por bem elaborar este trabalho, que consiste na compilação cronológica, de vários documentos, propostas de estatutos, informações e reflexões sobre o Animador e a Animação. Sem demasiadas pretensões, esperamos poder contribuir para informar, inquietar e ajudar à reflexão, de tão premente assunto para os animadores, para os animandos/comunidades e indubitavelmente para a sociedade em geral.

Sem a exigência de sermos exaustivos ou de grande rigor de investigação, tentámos compilar os documentos, que constituíam testemunhos fragmentados sobre o tema. Esses documentos, agora apresentados, vieram a público, desde 1977, em distintas e díspares iniciativas e publicações. Para evitar qualquer viés relativamente às intenções de cada texto, estes foram transcritos conforme se encontravam nos originais, sendo importante salientar que apesar de todos conterem importantes contributos para a reflexão desta temática, devem ser sempre interpretados no contexto temporal que lhes deu origem. Finalmente, é necessário referir que incluímos neste trabalho apenas textos produzidos por portugueses ou relativos à realidade nacional. Contudo, entendemos que uma visão ampla sobre o tema, só será possível se forem consultadas as várias publicações sobre esta matéria (essencialmente em língua espanhola e francesa) que existem no mercado. Algumas dessas obras encontram-se referenciadas na bibliografia deste trabalho.

A elaboração consciente de um estatuto do Animador exige a participação efectiva, fundamentada e convicta de todos os que põem as suas competências e conhecimentos ao serviço da animação ou que de alguma forma se relacionam com ela, directa ou indirectamente. Assim, este trabalho, não querendo ser visto como mais um livro para decorar as estantes dos animadores e das instituições, só fará sentido se for verdadeiramente interactivo, levando os leitores a analisá-lo de uma forma crítica e reflexiva. Para que isto seja possível, propomos uma estrutura diferente do que é habitual neste género de publicações; criámos uma margem suficientemente espaçosa nos documentos para as anotações do leitor, lançamos questões que incitam à reflexão individual e/ou colectiva, apresentamos sínteses e análises críticas sobre os vários documentos, etc. Cada um destes aspectos encontra-se devidamente assinalado por pictogramas, de modo a facilitar a leitura interactiva do trabalho.

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